Com participação do Sebrae, da Prefeitura de Caroebe, do Governo do Estado, especialistas em pesca esportiva e representantes de comunidades indígenas, o município começou a estruturar, na prática, um novo formato para o Festival de Pesca Esportiva ao Tucunaré. A agenda técnica incluiu visitas em campo, avaliação de rotas turísticas e passagem pela comunidade indígena Macará, da etnia Wai Wai, com foco na organização da experiência do visitante e na geração de renda local, com início em 31 de março e atividades em campo realizadas entre os dias 1º e 3 de abril.
Ao longo de quatro dias, o trabalho foi dividido entre articulação institucional e imersão no território. O primeiro momento ocorreu em Boa Vista, com reunião entre Sebrae e Prefeitura para alinhamento estratégico. Em seguida, a equipe seguiu para Caroebe, onde percorreu pontos turísticos, avaliou deslocamentos, identificou gargalos e potencialidades e começou a estruturar a chamada jornada do cliente, conceito que organiza toda a experiência do turista, do momento em que chega até o consumo de serviços e sua permanência no município.
Esse processo não se limitou à observação. A equipe testou percursos, avaliou tempos de deslocamento, analisou pontos de parada e discutiu como organizar cada etapa da experiência para evitar falhas operacionais durante o evento. Também foram levantadas necessidades práticas, como sinalização, organização de pontos de apoio, estrutura mínima de atendimento ao visitante e integração entre os serviços locais.
Outro ponto central foi a escuta de quem está diretamente envolvido com a atividade econômica no município. Empreendedores locais, gestores públicos e lideranças indígenas participaram das discussões, contribuindo com percepções sobre o que já funciona, o que precisa ser ajustado e onde estão as principais oportunidades de geração de renda.
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Parceria reposiciona o festival como estratégia econômica
O festival segue sendo uma iniciativa da Prefeitura de Caroebe, com apoio do Governo do Estado, mas passa a ganhar outra dimensão a partir da parceria com o Sebrae, que assume o papel de organizar tecnicamente o evento e estruturar o ambiente de negócios ao redor dele.
Na prática, o que está sendo feito é reposicionar o festival. Ele deixa de ser tratado como um evento pontual e passa a ser pensado como uma ferramenta de desenvolvimento econômico, capaz de movimentar diferentes setores ao mesmo tempo, especialmente em um município que ainda busca diversificar suas fontes de renda.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Turismo, Francisco Leandro Sousa Lima, esse apoio técnico permite dar um salto na forma como o evento é planejado e executado.
“A consultoria do Sebrae tem sido fundamental para o planejamento e a profissionalização do festival. Esse apoio permite que o evento avance de uma iniciativa pontual para um produto turístico estruturado, com planejamento estratégico, organização operacional e foco em resultados”, afirmou.
Ele destaca que o impacto vai além da realização do festival. “A atuação do Sebrae contribui diretamente na construção de um modelo sustentável, capaz de atrair investimentos, fortalecer a cadeia produtiva local e posicionar Caroebe como destino de pesca esportiva”, disse.
Dentro dessa lógica, o trabalho envolve organizar toda a cadeia econômica. Desde a capacitação de guias de pesca até o incentivo à formalização de empreendedores, passando pela regulamentação da atividade e pela melhoria da estrutura de recepção ao turista.
Também entra nesse processo a tentativa de integrar setores que hoje operam de forma isolada, como alimentação, hospedagem, transporte e comércio. A proposta é criar uma rede organizada, capaz de atender o visitante de forma mais eficiente e, ao mesmo tempo, aumentar a circulação de renda dentro do município.
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Experiência completa passa a orientar o formato do evento
Um dos principais pontos observados durante a imersão é que o sucesso do festival não depende apenas da pesca, mas da experiência como um todo. A construção da jornada do cliente passou a orientar o planejamento, com foco em ampliar o tempo de permanência do visitante e o volume de consumo no município.
O evento está sendo estruturado em três frentes principais: o torneio de pesca esportiva como eixo central, experiências turísticas e culturais distribuídas pelo território e uma feira de negócios voltada à economia criativa, com gastronomia, artesanato e produtos locais.
A proposta é que o visitante não chegue apenas para competir e vá embora, mas que permaneça no município, circule por diferentes espaços e consuma serviços locais. Isso inclui desde roteiros guiados até experiências culturais e gastronômicas.
A gerente do Sebrae na região Sul, Carol Padilha, afirma que essa mudança de abordagem é essencial para garantir resultados econômicos. Segundo ela, o festival precisa ser pensado para além da competição.

“Pretendemos criar um evento onde o pescador compete e a família vive uma experiência completa na Amazônia”, afirmou.
Ela explica que a agenda realizada no município foi fundamental para organizar esse modelo.
“Essa programação foi fundamental para identificar oportunidades, avaliar potencialidades e estruturar uma jornada do cliente alinhada ao mercado, fortalecendo Caroebe como destino de turismo de experiência”, disse.
Carol também destaca que o trabalho terá continuidade. “Nos próximos meses pretendemos realizar ações de sustentabilidade, capacitação dos empreendedores e mobilizar toda a sociedade civil para promover o potencial turístico de Caroebe”, completou.
Esse processo inclui preparar os empreendedores para atender um público mais exigente, melhorar a qualidade dos serviços ofertados e criar condições para que o visitante tenha uma experiência positiva do início ao fim.
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Comunidade indígena entra como eixo econômico do festival
A visita à comunidade indígena Macará marcou um dos pontos mais estratégicos da agenda. A proposta discutida durante a imersão é inserir as comunidades indígenas de forma direta na cadeia econômica do turismo.
Isso inclui desde a pesca esportiva guiada por indígenas até a oferta de experiências culturais e a valorização do artesanato como negócio.
A ideia é que o turismo gere renda dentro das comunidades e não apenas utilize o território como cenário. O modelo busca criar oportunidades reais de participação econômica, respeitando a cultura local e fortalecendo a autonomia das comunidades.
O especialista em pesca esportiva Tiago Papan, que acompanhou a agenda técnica, avalia que Caroebe já possui um diferencial natural importante, mas que a organização será determinante para consolidar o destino.

“Eu viajo o Brasil inteiro buscando esse tipo de experiência. Posso afirmar que Caroebe é um destino muito atrativo para a pesca esportiva. Os rios e lagos são muito piscosos e a beleza natural impressiona”, afirmou.
Para ele, a inclusão da cultura indígena fortalece ainda mais o projeto. “É muitíssimo válido não só para os turistas, mas para o próprio povo indígena, que cada vez mais busca sua liberdade financeira e se preocupa com o futuro das comunidades”, disse.
Esse modelo também acompanha uma tendência do turismo de experiência, que valoriza autenticidade, contato com o território e participação direta das comunidades locais.
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Festival passa a ser estruturado como plataforma de negócios
Com o redesenho em andamento, o Festival de Pesca Esportiva ao Tucunaré passa a ser tratado como uma plataforma de negócios, com potencial para movimentar diferentes setores da economia local.
A programação deve incluir, além da competição, feira gastronômica, apresentações culturais, espaços de comercialização e atividades voltadas à economia criativa. A intenção é ampliar o tempo de permanência do visitante e incentivar o consumo dentro do município.
“O objetivo é garantir que o fluxo de visitantes gere oportunidades reais para a população e fortaleça a economia local”, afirmou o secretário.
A expectativa é que o festival funcione como vitrine, mas que os resultados se mantenham depois, com geração de renda, atração de investimentos e fortalecimento da economia local.
“Seguimos comprometidos em transformar o Festival de Pesca Esportiva em um dos principais eventos turísticos de Roraima, com potencial de crescimento contínuo e geração de benefícios duradouros para o município”, finalizou o secretário.

