A necessidade de emitir uma nota fiscal para prestar um serviço foi o que levou a empreendedora Val Bezerra a abrir um CNPJ, em 2021. O que ela não imaginava era que aquele seria o primeiro passo para a construção de um negócio que hoje reúne produtos amazônicos, participação em feiras e eventos, além de uma nova linha de biojoias inspirada na própria história familiar.
Atualmente à frente da Daval Alimentos Amazônicos, a empresária acompanha de perto as ações promovidas pelo Sebrae em Roraima e é presença constante em capacitações, projetos e exposições voltadas ao empreendedorismo.
Embora o CNPJ tenha sido criado em 2021, a atuação no segmento de alimentos começou no ano seguinte. Nesse período, a marca passou por algumas mudanças até chegar ao nome atual.
“O CNPJ nasceu em 2021, mas a gente ainda não trabalhava com alimentos. Em 2022 nasceu a Delícias Daval. Depois mudamos para Delícias e Pimentas Daval e, mais tarde, entendemos que esse ainda não era o nome certo. Foi quando passamos a nos chamar Daval Alimentos Amazônicos, porque trabalhamos com frutos da Amazônia dentro dos nossos produtos”, contou.
Hoje, a empresa trabalha com produtos que valorizam ingredientes da região amazônica e carrega no próprio nome a proposta de destacar os sabores e potencialidades da floresta.
Apoio para crescer
Ao longo da trajetória, Val buscou apoio em diversos serviços oferecidos pelo Sebrae. Para ela, um dos principais diferenciais da instituição é mostrar que o empreendedor não precisa enfrentar sozinho os desafios do negócio.
“Muita gente acha que o Sebrae serve apenas para ajudar a abrir um CNPJ, mas não é só isso. Tem muitos serviços para quem quer crescer, melhorar a empresa e encontrar soluções para os problemas do dia a dia”, afirmou.Entre as iniciativas que mais marcaram sua caminhada está o Sebraetec, programa que oferece consultorias especializadas para pequenos negócios.
“Você não sabe como organizar sua fachada, melhorar sua marca ou fazer a tabela nutricional do seu produto? O Sebraetec ajuda. Tem profissionais que orientam e mostram caminhos para melhorar o negócio”, destacou.
Outro projeto citado pela empresária é o Sebrae Delas, voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.
“Além de aprender, você se conecta com outras mulheres empreendedoras. É uma troca muito rica e que ajuda bastante no desenvolvimento pessoal e profissional”, disse.
Segundo ela, o contato com os projetos e consultorias permitiu enxergar novas possibilidades para o negócio e fortalecer a gestão da empresa.
“O Sebrae tem muitos serviços que as pessoas nem imaginam que existem. Tem projeto de inovação, moda, beleza e várias outras áreas. Sempre que surge uma dúvida, eu procuro orientação”, ressaltou.
Feiras que geram conexões
Além das capacitações e consultorias, as feiras e exposições também fazem parte da rotina da empresária. Presente em diversos eventos promovidos pelo Sebrae, Val acredita que esses espaços têm papel importante na divulgação da marca e na construção de relacionamentos com clientes.
“Participar de feiras não é só vender. É criar conexões, mostrar que existe um produto, um serviço e uma história por trás daquela marca”, explicou.
Para ela, muitas oportunidades surgem justamente após os eventos. “Nem todo mundo vai para uma feira com dinheiro para comprar naquele momento. Mas a pessoa conhece o produto, pega o contato, experimenta e volta depois. Por isso é importante estar presente e mostrar o que você faz”, disse.
A empresária também acredita que a degustação e a apresentação dos produtos ajudam a aproximar o público. “Uma boa divulgação não é apenas vender. É mostrar como o produto é feito e contar a história dele”, afirmou.
Herança que virou negócio
Recentemente, a empreendedora decidiu expandir a atuação da Daval para um novo segmento: a produção de biojoias.
A ideia surgiu após uma viagem para participar da COP30. Durante o evento, ela teve contato com peças artesanais feitas com miçangas e decidiu produzir seus próprios acessórios. O interesse pelo artesanato, no entanto, não era algo novo.
Anos antes, durante uma temporada em Bruxelas, na Bélgica, Val confeccionou pulseiras com as bandeiras do Brasil e da Bélgica e vendeu as peças para moradores da região. A experiência despertou o interesse pelo trabalho manual, mas acabou ficando em segundo plano.
Ao retomar a atividade, ela percebeu que a nova fase do negócio estava ligada diretamente às suas origens.
“Minha cunhada viu uma publicação que fiz sobre as biojoias e me lembrou da minha mãe. Foi quando percebi que ela também era artesã. Minha mãe fazia crochê, bordados, tapetes e várias outras peças com muita habilidade”, contou.
Atualmente, a empreendedora trabalha com centenas de modelos de pulseiras, brincos e colares confeccionados com miçangas. Para ela, as biojoias representam uma herança familiar tão importante quanto os produtos alimentícios que desenvolve.
“As pimentas são uma herança do meu pai. As biojoias são uma herança da minha mãe. Tudo está ligado à minha história e à minha família. É como se eu estivesse trazendo essas duas heranças para o meu dia a dia”, afirmou.
Ao olhar para a trajetória construída desde a abertura do CNPJ, Val acredita que o aprendizado constante foi fundamental para transformar uma ideia em negócio.
Por isso, deixa um conselho para quem está começando a empreender ou ainda não conhece os serviços oferecidos pelo Sebrae.
“Não fique só olhando. Procure ajuda, participe dos projetos e busque soluções para os desafios da sua empresa. Sempre tem algo novo para aprender e isso faz diferença no crescimento do negócio”, concluiu.

