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Em meio à programação que reúne cultura, negócios e experiências, o Viva Roraima 2026 também chama atenção por uma proposta que vai além do entretenimento: a sustentabilidade. Realizado pelo Sebrae e pelo Governo do Estado de Roraima, com apoio do Sest Senat, o evento iniciou nesta sexta-feira (24) e segue até domingo (26), com ações voltadas à neutralização das emissões de carbono, incluindo medição em tempo real e compensação por créditos ambientais.

A iniciativa parte do reconhecimento de que eventos de grande porte geram impactos ambientais relevantes, principalmente pela emissão de gases de efeito estufa. A partir disso, o Viva Roraima incorpora uma estratégia que envolve desde o planejamento até a execução e o pós evento, com o objetivo de reduzir esses impactos e compensar aquilo que não pode ser evitado.

Segundo a analista do Sebrae Roraima, Kamila Brasil, o processo de descarbonização considera toda a cadeia do evento. “Quando a gente realiza um evento de grande porte, há uma geração de carbono. A partir disso, medimos tudo, como transporte, consumo de água e resíduos, e transformamos esses dados em créditos que são devolvidos à natureza por meio de projetos ambientais”, explicou.

Esse monitoramento começa ainda antes da abertura oficial. Na fase de pré evento, são definidas ações voltadas à redução de impactos, como o planejamento da gestão de resíduos, incentivo à coleta seletiva e articulação com cooperativas de reciclagem. Também são avaliadas questões logísticas, como transporte de materiais, montagem de estruturas e consumo energético.

Durante o evento, essas medidas são colocadas em prática e acompanhadas por meio de um inventário de emissões, que reúne dados detalhados sobre diferentes fontes de impacto ambiental. Entre elas estão o uso de energia elétrica, funcionamento de geradores movidos a combustível fóssil, deslocamento de fornecedores e participantes, além da geração e destinação de resíduos.

Como funciona a descarbonização

A CEO da Compensei, empresa responsável pela descarbonização, Vilena Silva, explica que o trabalho segue uma metodologia internacional. “A gente trabalha com base no GHG Protocol, que orienta como calcular as emissões de carbono a partir de diferentes fontes. Isso permite que o inventário seja feito com precisão e que a compensação seja equivalente ao impacto gerado”, afirmou.

Um dos instrumentos utilizados durante o evento é o carbonômetro, ferramenta que permite acompanhar, em tempo real, a quantidade de carbono emitida. A partir de informações coletadas com participantes e organizadores, como tipo de transporte utilizado e distância percorrida, o sistema calcula a pegada de carbono individual e coletiva.

Além de auxiliar no levantamento de dados, a ferramenta também tem papel educativo. Ao permitir que o público visualize o impacto de suas próprias escolhas, a iniciativa busca estimular uma mudança de comportamento e maior consciência ambiental.

“A gente convida as pessoas a participarem desse cálculo para que elas entendam que fazem parte tanto do problema quanto da solução. No dia a dia, emitimos carbono, mas também podemos neutralizar esse impacto apoiando projetos que removem esses gases da atmosfera”, destacou Vilena.

Entre os principais fatores que contribuem para a emissão de carbono no evento estão o consumo de energia, especialmente com o uso de geradores, o transporte de pessoas e equipamentos e a geração de resíduos. Quando não são destinados corretamente, esses resíduos podem liberar gases como o metano, que contribuem para o aquecimento global.

Para neutralizar essas emissões, o evento investe na compra de créditos de carbono. Esses créditos são vinculados a projetos socioambientais, como reflorestamento, conservação de florestas e iniciativas de energia renovável. Na prática, isso significa que, para cada tonelada de carbono emitida, é realizada uma compensação equivalente por meio desses projetos.

Consciência ambiental e participação do público

A ação também está alinhada ao compromisso institucional do Sebrae com o Pacto Global da ONU e com o ODS 13, que trata do enfrentamento às mudanças climáticas.

Além das estratégias técnicas, o evento também investe em ações de conscientização e educação ambiental. Espaços voltados à sustentabilidade e atividades interativas buscam aproximar o público do tema, incentivando práticas mais responsáveis no dia a dia.

O servidor público Gelson Alencar participou da experiência de cálculo da pegada de carbono e destacou o impacto da iniciativa. “É algo muito interessante e inovador, porque muitas vezes a gente não tem noção do quanto emite no dia a dia. Isso faz a gente refletir sobre nossos hábitos”, afirmou.

Ele também ressaltou a surpresa ao perceber o impacto de deslocamentos considerados simples. “Eu moro perto, cerca de um quilômetro daqui, e mesmo assim já houve emissão. Imagina quem se desloca distâncias maiores todos os dias. Isso mostra como pequenas ações também têm impacto”, completou.

A criadora de conteúdo Mari Wapichana também participou da atividade e destacou o caráter educativo da proposta. “A gente vive no automático e não para pra pensar nisso. Foi a primeira vez que fiz esse cálculo e achei muito importante. É uma iniciativa que faz a gente refletir”, disse.

Para a organização, a proposta vai além da realização de um evento pontual e busca estimular uma mudança de mentalidade tanto entre o público quanto entre organizadores. A expectativa é que iniciativas como essa sirvam de referência e incentivem a adoção de práticas mais sustentáveis em outros eventos realizados no estado.

Nos últimos anos, segundo a empresa responsável pela descarbonização, já é possível observar uma mudança gradual nesse cenário, com maior preocupação ambiental por parte de instituições e produtores de eventos. A tendência é que ações desse tipo se tornem cada vez mais frequentes, acompanhando uma demanda crescente da sociedade por iniciativas sustentáveis.

Com a adoção do modelo carbono neutro, o Viva Roraima 2026 se posiciona dentro desse movimento, integrando desenvolvimento econômico, valorização cultural e responsabilidade ambiental em uma mesma proposta.

“Esse é um movimento que veio para ficar. A gente percebe que cada vez mais as pessoas e as instituições estão entendendo a importância de reduzir impactos e assumir essa responsabilidade ambiental”, finalizou Vilena Silva.

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