Presente nas mesas das famílias, nos arraiais e entre os produtos que melhor representam a identidade gastronômica de Roraima, a paçoca de carne acaba de alcançar um marco importante para sua valorização. A Associação dos Produtores de Paçoca de Roraima conquistou o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), formalização que permitirá à organização representar oficialmente os produtores no processo de obtenção da Indicação Geográfica (IG). A etapa, concluída na última semana, abre um novo capítulo na busca pelo reconhecimento de origem do produto junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
Com personalidade jurídica, a associação passa a representar oficialmente os produtores e poderá conduzir o pedido de registro da Indicação Geográfica. A certificação reconhece produtos que possuem características ligadas ao território onde são produzidos, agregando valor, fortalecendo a identidade local e ampliando oportunidades de mercado.
Segundo a analista técnica de inovação do Sebrae Roraima, Fabiana Duarte, a obtenção do CNPJ representa um momento decisivo para a consolidação do processo.
“A obtenção do CNPJ representa um marco histórico para a Paçoca de Roraima. A formalização da associação é uma etapa fundamental no processo de Indicação Geográfica, pois permite que os produtores estejam legalmente organizados e aptos a atuar como entidade representativa do produto”, explicou.
Conquista do CNPJ permite que associação assuma processo de reconhecimento da Paçoca de Roraima
Com a formalização concluída, a associação passa a ser responsável por conduzir o pedido de registro da Indicação Geográfica junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Agora, o trabalho se concentra na conclusão das etapas técnicas necessárias para o protocolo do pedido. Entre elas estão a validação da área geográfica de produção, a conclusão dos estudos técnicos, o aprimoramento do regulamento de uso, a definição do sistema de controle e a finalização do caderno de especificações técnicas, documento que demonstra a relação entre a Paçoca de Roraima e o território onde ela é produzida.
“A Indicação Geográfica agrega valor ao produto, fortalece sua identidade e reconhece oficialmente sua origem e reputação. Para os produtores, representa uma oportunidade de diferenciação no mercado, ampliação do acesso a novos mercados e potencial aumento de renda. Para Roraima, a certificação contribui para a preservação do patrimônio cultural, o fortalecimento da economia local, a promoção do turismo gastronômico e a projeção do estado como um território de produtos autênticos e de alta qualidade”, afirmou Fabiana
Diretor-presidente da entidade, João Carlos Souto Maior conta que a relação com a iguaria começou ainda na infância, tradição presente na alimentação da família. Em 2014, ele profissionalizou a produção e, desde então, acompanha de perto o crescimento do setor.
Segundo ele, a associação ajuda a organizar uma cadeia produtiva que vai muito além da fabricação da paçoca.

“A cadeia produtiva da paçoca é bem extensa. Ela envolve desde os ambulantes que comercializam o produto nos arraiais e em grandes eventos até empresas que enviam a paçoca para outros estados e países. A associação nos une em torno de objetivos comuns e isso é muito importante”, destacou.
João Carlos lembra que a paçoca já acumula importantes reconhecimentos no estado e acredita que a Indicação Geográfica ampliará ainda mais esse processo de valorização.
“O trabalho de valorização da paçoca já vem sendo feito há bastante tempo. Hoje ela é patrimônio cultural de Roraima e, com o apoio do Sebrae na implantação da Indicação Geográfica, um novo horizonte se abre para todos que trabalham com esse produto.”
Diretor administrativo da associação, Pedro Cavalcante Pinheiro iniciou a fabricação da paçoca há mais de dez anos, após identificar o crescimento da procura pelo produto e a dificuldade dos fabricantes em atender à demanda.
“O começo foi muito difícil. Parece um produto simples, mas a paçoca tem seus mistérios. Ao longo dos anos fomos nos profissionalizando, conquistamos o selo de qualidade e hoje fazemos parte desse momento”, relatou.
Representando a tradicional Paçoca da Tia Nega, a diretora financeira da associação, Elane Daniel Mangabeira, afirma que dar continuidade ao legado construído há mais de 30 anos pela família é motivo de orgulho.
“Vejo a associação como uma porta aberta para novas oportunidades. A paçoca poderá chegar a novos municípios, outros estados, outros países e ampliar ainda mais sua presença”, afirmou.
Ela acredita que a união entre os produtores será determinante para consolidar essa nova fase. “Espero que essa associação seja um espaço de parceria entre todos nós, sem rivalidade, para que possamos produzir uma paçoca de qualidade e continuar levando orgulho para Roraima.”
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Maior Paçoca do Mundo bate novo recorde
A organização dos produtores acontece em um momento de grande visibilidade para a Paçoca de Roraima. Durante o Boa Vista Junina 2026, a Maior Paçoca do Mundo voltou a bater o próprio recorde ao atingir 1.593,5 quilos, superando a marca de 1.547,5 quilos, registrada no ano passado.
Com a associação formalizada, os produtores passam a conduzir, de forma organizada, a etapa final de preparação da documentação que será encaminhada ao Inpi. A expectativa é que a Indicação Geográfica reconheça oficialmente a ligação da Paçoca de Roraima com seu território de origem, fortalecendo um produto que faz parte da cultura, da economia e da identidade roraimense.

