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Startup Vaca Roxa apresenta tecnologia inédita para prevenção da mastite na Expoferr 2025

Inovação foi apresentada no pavilhão Juntos Pelo Agro
Por Sebrae/RR
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Inovação e tecnologia marcaram presença na Expoferr 2025, realizada de 4 a 8 de novembro, no Parque de Exposições Dandãezinho. Entre os destaques do pavilhão do Sebrae Roraima esteve a startup catarinense Vaca Roxa, que apresentou um equipamento digital capaz de detectar precocemente casos de mastite em vacas leiteiras — uma das principais causas de prejuízo na produção de leite em todo o país.

A participação da startup foi resultado de uma ação do Sebrae Roraima para conectar produtores locais a soluções tecnológicas que aumentem a produtividade e o bem-estar animal. A proposta da Vaca Roxa combina precisão e praticidade, por meio de um dispositivo portátil em formato de raquete digital que mede o grau de infecção no úbere da vaca. Dessa forma, e o produtor pode identificar o problema ainda nas fases iniciais e adotar o tratamento adequado no momento certo.

Helmes Filho, trainee da Unidade de Agronegócio do Sebrae Roraima, explica que a iniciativa reflete o compromisso da instituição em fomentar a inovação no campo. “A mastite é um problema que afeta todos os produtores de leite, dos pequenos aos grandes. A solução da Vaca Roxa ajuda a identificar e tratar precocemente esse problema, reduzindo perdas na produção e melhorando o bem-estar dos animais. Trouxemos o Roberto para o estande justamente para mostrar aos produtores e acadêmicos que o uso da tecnologia pode transformar a rotina de quem depende do leite como fonte de renda”, afirmou.

Segundo Helmes, o Sebrae buscou startups com soluções específicas para o agro, e a Vaca Roxa se destacou pela aplicabilidade direta na realidade dos produtores roraimenses. “Estamos com três startups voltadas ao setor agro no pavilhão do Sebrae, e a dele é uma das que mais têm chamado a atenção. A receptividade dos produtores está sendo muito boa, porque eles sabem o quanto a mastite impacta a renda e a produtividade das propriedades”, complementou.

O criador da tecnologia, Roberto Valicheski, é produtor rural e coordenador da startup Vaca Roxa, instalada em Santa Catarina. Ele explica que o equipamento foi desenvolvido para facilitar o trabalho de diagnóstico e integrar as informações com técnicos, veterinários e laticínios. “A Vaca Roxa fabrica uma raquete digital que permite ao produtor identificar qual vaca está doente, qual o grau de infecção e até qual o teto acometido. Assim que o teste é feito, os dados são enviados pela internet para uma plataforma, que emite alertas automáticos ao veterinário responsável. Com isso, é possível agir rapidamente e aplicar o tratamento correto”, explicou Roberto.

De acordo com o empresário, o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento. “A bactéria que causa a mastite tem um ciclo de cerca de 21 dias. Se o produtor identifica o problema na primeira semana, as chances de cura são muito maiores. Quando a mastite chega ao estágio agudo, o leite já apresenta grumos e a recuperação do animal se torna mais difícil. Nosso equipamento ajuda a identificar o problema ainda no estágio subclínico, quando o animal não apresenta sintomas visíveis”, completou.

O impacto econômico da mastite é expressivo. Estima-se que a doença cause um prejuízo de cerca de dois bilhões de litros de leite por ano à cadeia produtiva no Brasil. Segundo Roberto, a inovação permite reduzir perdas, melhorar a qualidade do leite e evitar descarte de matéria-prima contaminada por resíduos de antibióticos. “A tecnologia traz precisão, rapidez e rastreabilidade para toda a cadeia de produção”, disse.

Durante a feira, a startup também iniciou conversas com pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), que demonstraram interesse em desenvolver uma parceria científica para aperfeiçoar o equipamento às condições locais. O professor Jalison Lopes, da UFRR, destacou que o ambiente de criação e o clima interferem diretamente na composição do leite. “A ideia é calibrar o equipamento para as condições de Roraima, de modo que ele seja ainda mais eficiente. Vamos realizar testes com produtores e dentro da universidade para validar e aprimorar o sistema, garantindo resultados reais para os rebanhos do estado”, explicou o docente.

A inovação apresentada pela Vaca Roxa se soma aos esforços do Sebrae e do Governo de Roraima em fortalecer a cadeia leiteira estadual. Em parceria com o programa estadual da bacia leiteira, o Sebrae acompanha produtores que receberam vacas de alta genética, orientando sobre manejo, alimentação e sanidade. Os resultados são animadores: propriedades que produziam em média 1,5 litro de leite por vaca por dia passaram a registrar até 12 litros, reflexo direto da melhoria da gestão e da adoção de boas práticas produtivas.

A presença da startup na Expoferr reforça a vocação do evento como vitrine tecnológica e espaço de aproximação entre produtores e empreendedores. Para o secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (SEADI), Márcio Granjeiro, essa interação é fundamental para o avanço do agronegócio roraimense. “A Expoferr é uma grande vitrine tecnológica e um ambiente onde empresas e produtores dialogam para tornar a pecuária mais eficiente e rentável. O governo, junto com o Sebrae, trabalha para garantir que o produtor tenha acesso a essas inovações que facilitam o dia a dia no campo e fortalecem a segurança alimentar do estado”, afirmou.

O secretário destacou ainda a importância de integrar ciência, tecnologia e políticas públicas. “Quando o produtor rural tem acesso a startups e novas tecnologias, ele consegue produzir mais e melhor. É muito gratificante ver essa conexão acontecendo aqui, na feira, com todos os segmentos — produção, comércio e prestação de serviços — compartilhando o mesmo espaço. É isso que faz Roraima avançar”, completou Granjeiro.

Com o sucesso da iniciativa, o Sebrae Roraima pretende seguir ampliando a rede de inovação voltada ao agro, atraindo novas startups e aproximando-as dos produtores locais. Para Helmes Filho, o caminho é esse: unir conhecimento, tecnologia e empreendedorismo. “O papel do Sebrae é justamente promover essas conexões, levando ao campo soluções que realmente resolvem os problemas do dia a dia do produtor. A Vaca Roxa mostra que a inovação pode nascer em qualquer lugar, e o importante é fazer ela chegar onde mais faz diferença: na propriedade rural”, concluiu.

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