A bioeconomia, o turismo sustentável e a valorização dos produtos amazônicos estiveram no centro das discussões do painel “Negócios Verdes e Turismo: Desenvolvimento Sustentável como Estratégia para o Norte”, realizado na noite desta quarta-feira (27), durante o ERPA Norte 2026. O debate reuniu representantes do setor produtivo, empreendedorismo sustentável e gestão ambiental para discutir caminhos capazes de transformar as potencialidades da região em oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e social.
Participaram do painel o diretor-superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, a gestora ambiental e fundadora da Roraima Adventures, Lena Matos, e o administrador Nirval Queiroz, responsável pela mediação do debate.
Durante sua participação, Emerson Baú destacou o papel estratégico da bioeconomia para o futuro de Roraima e defendeu a necessidade de fortalecer cadeias produtivas locais, agregando valor aos produtos amazônicos antes que eles deixem o estado.
“O Conselho Regional de Administração, além de realizar um encontro regional, traz temas relevantes para provocar discussões e gerar conhecimento. O Sebrae acredita que, através dos pequenos negócios, vamos conseguir construir uma Roraima diferente, trabalhando inclusive como modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia”, afirmou.
Baú chamou atenção para situações em que produtos regionais acabam sendo exportados sem identificação de origem roraimense, perdendo valor econômico e reconhecimento de mercado.
“Nossa castanha sai de Roraima, vai para Manaus, depois para o Acre e segue para a Bolívia. Lá, ela é exportada para o mundo como produto boliviano. Nós não podemos deixar isso acontecer”, ressaltou.
Segundo ele, o fortalecimento da bioeconomia depende da criação de agroindústrias, agentes de mercado e mecanismos de conexão entre produtores tradicionais e consumidores nacionais e internacionais.
“O extrativista, o pescador, a comunidade indígena não são comerciantes. Eles precisam de apoio para intermediar negociações e conectar seus produtos ao mercado”, explicou.
O superintendente do Sebrae também destacou o crescimento de iniciativas locais que já conseguem acessar mercados internacionais, principalmente por meio da agregação de valor aos produtos regionais.
“O grande desafio da Amazônia é agregar valor. Hoje, já temos demanda internacional não apenas pela polpa dos produtos amazônicos, mas também pelo conteúdo liofilizado, que possui maior valor agregado”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de criar condições para que jovens permaneçam em comunidades tradicionais e enxerguem perspectivas de futuro dentro da própria região.
“Precisamos oferecer acesso à tecnologia, comunicação e oportunidades para que o jovem queira permanecer na comunidade. Esse é um dos primeiros passos para fortalecer a Amazônia de forma sustentável”, disse.
Baú também enfatizou a importância das indicações geográficas como ferramenta de valorização cultural e econômica. Ele citou como exemplo a primeira indicação geográfica conquistada em Roraima, relacionada às panelas de barro produzidas pelas mulheres da Serra da Lua, além de outras iniciativas em andamento no estado.
“Na Europa existem mais de seis mil indicações geográficas. Isso é valorização do local. É exatamente isso que estamos trabalhando: conectar o mundo moderno à produção regional”, pontuou.
A gestora ambiental Lena Matos reforçou que o turismo sustentável precisa estar associado à valorização da identidade amazônica e ao fortalecimento das experiências regionais. Segundo ela, ainda existe desconhecimento sobre Roraima no cenário nacional, o que exige investimento em posicionamento e valorização dos produtos e destinos locais.
“Quando falamos de Roraima, muita gente ainda confunde com Amazonas. Precisamos fortalecer nossa imagem, agregar valor e mostrar o potencial que temos”, afirmou.
Ela também destacou que o turismo de experiência e os roteiros sustentáveis representam oportunidades importantes para o desenvolvimento econômico da região, especialmente quando associados à preservação ambiental e à valorização cultural das comunidades locais.
Já o mediador do painel, Nirval Queiroz, destacou que sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência do mercado. Durante o debate, ele direcionou reflexões aos profissionais da administração e aos jovens que ingressam no mercado de trabalho, ressaltando a importância da atualização constante diante das transformações econômicas e tecnológicas.
“A sustentabilidade não é mais opção de diferencial competitivo. Hoje ela é essencial para posicionamento no mercado e geração de valor”, afirmou.
Nirval também ressaltou que o mercado exige profissionais preparados para acompanhar as mudanças e compreender tendências de longo prazo.
“O mundo está mudando em uma velocidade muito grande. Quem trabalha com gestão precisa continuar estudando, acompanhando tendências e entendendo os novos cenários”, disse.
O painel integrou a programação do ERPA Norte 2026, evento voltado ao fortalecimento da administração, inovação e desenvolvimento regional na Amazônia. O debate evidenciou o potencial dos negócios verdes e do turismo sustentável como caminhos estratégicos para geração de renda, preservação ambiental e valorização das riquezas amazônicas.

