O Auditório Monte Roraima, em Boa Vista, recebe desde esta segunda-feira (27) o curso “Bioeconomia Amazônica: Da Produção ao Mercado”, promovido pelo Sebrae Roraima em parceria com a Trent University, do Canadá. A programação segue até o dia 30 de abril e reúne produtores rurais, artesãos, microempreendedores, instituições públicas, cooperativas, empresas e representantes de comunidades extrativistas para discutir caminhos sustentáveis para o desenvolvimento da Amazônia.
O evento é considerado o primeiro de caráter internacional realizado dentro dessa proposta e tem como objetivo fortalecer toda a cadeia produtiva da bioeconomia, desde o extrativismo até a inserção dos produtos no mercado de forma justa, sustentável e inovadora.
Participam instituições como BIOFOREST, SESCOOP, Amazon Project Consultoria, Instituto Elevanza de Pesquisa, Inovação e Sustentabilidade, além de comunidades extrativistas Wai Wai e Macuxi, cooperativas e empresas de vários estados da Região Norte.
A programação também conta com nomes internacionais como Suresh Narine, da Guiana, Navindra Soodoo e Robert Neil Emery, ambos do Canadá.
Um dos principais articuladores dessa parceria internacional foi o diretor de Administração e Finanças do Sebrae Roraima, Almir Sá, que destacou que esse diálogo com a Trent University já vinha sendo construído há quase dois anos e representa um passo importante para consolidar a bioeconomia como eixo estratégico de desenvolvimento para a Amazônia.
Segundo ele, não é possível pensar uma Amazônia forte sem união entre os estados e sem o uso da tecnologia como ferramenta de transformação.
“Não se constrói uma Amazônia forte sem a união de todos. Nós temos riqueza, temos tecnologia ao nosso favor e precisamos fazer com que todos estejam conectados, trocando experiências e criando novas ideias. Essa soma de conhecimentos faz com que cresçamos mais rápido e que as pesquisas avancem com mais eficiência”, afirmou.
Almir também reforçou que o debate sobre bioeconomia precisa envolver não apenas os estados brasileiros da Amazônia Legal, mas também os países amazônicos, fortalecendo uma rede internacional de pesquisa e inovação.
“Temos que discutir esse processo de pesquisa em torno da bioeconomia e envolver também os países da Amazônia. Somos vários países com potencial enorme e precisamos estar conversando, trocando ideias e sugestões. Quando há muita gente pesquisando e buscando inovação na mesma área, os resultados aparecem mais rápido.”
Segundo Eliene Farias, do Sebrae Roraima a proposta é construir uma cadeia produtiva mais eficiente e integrada, valorizando os produtos da floresta e ampliando oportunidades econômicas para quem vive da bioeconomia.
“Esse é o primeiro evento internacional que estamos realizando em parceria com a Trent University, do Canadá. O Sebrae possui um acordo de intenções com eles e a proposta é justamente trabalhar a bioeconomia, melhorando o processo produtivo desde o extrativismo dos óleos essenciais até a parte mercadológica. O objetivo é entender como inserir esse produto no mercado de forma justa”, explicou.
Ela destaca que o curso reúne diferentes atores da cadeia produtiva.
“Hoje temos comunidades extrativistas participando, produtores rurais que já beneficiam esses produtos, mini indústrias que trabalham com a fabricação e diversas empresas de pesquisa. A ideia é juntar todo esse conhecimento para trazer ao mercado uma solução mais prática e inovadora e fazer com que as pessoas enxerguem a bioeconomia como o futuro da economia da Amazônia.”
Entre os produtos debatidos estão andiroba, cupuaçu, açaí e outros insumos do bioma amazônico com potencial para cosméticos, produtos farmacêuticos e nutracêuticos.
O diretor superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, destacou que o encontro representa mais um passo dentro do projeto estruturante da bioeconomia para toda a Amazônia Legal.
“Hoje o Sebrae não atua mais de forma isolada. Estamos falando de uma união entre os Sebraes da Amazônia Legal, com apoio do Sebrae Nacional, para fortalecer os 28 milhões de amazônidas que vivem nesse território. O objetivo é mostrar que é possível conciliar produção, geração de riqueza e preservação ambiental.”
Ele reforçou ainda que Roraima tem potencial para se tornar referência no desenvolvimento sustentável da região.
“Queremos construir um projeto impactante que dê dignidade ao povo amazônico e mostre que é possível gerar valor e riqueza com preservação. Roraima está se desenvolvendo e trabalhando para ser modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia.”
Representando o Sebrae Nacional, Ivan Tonet afirmou que o tema da bioeconomia precisa estar no centro das estratégias de desenvolvimento do país.
“Todos os estados da Região Norte têm a capacidade enorme de dar ao Brasil e ao mundo o recado de como se pode construir algo sustentável, economicamente viável, legalmente responsável e exportável. Tenho certeza de que esse projeto será um sucesso.”
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Expositoras
Entre os participantes está a empreendedora Arlete Pantoja Leal, de 52 anos, vinda do Amapá, representante da Associação de Mulheres Ativistas Sementes de Araguari.
Ela trabalha com biocosméticos produzidos a partir de sementes da floresta e viu no evento uma oportunidade de ampliar conhecimentos e conexões.
“Eu trabalho com sabonetes naturais feitos com sementes como andiroba, copaíba e outras resinas da floresta. Além de gerar renda para as mulheres da nossa associação, esse trabalho ajuda a manter a floresta em pé. Estar aqui é uma grande oportunidade de aprendizado e crescimento.”
De Boa Vista, a empreendedora Maria Araújo, da Biotech Mudas, também participa do curso com foco em ampliar conexões e fortalecer sua atuação no mercado.
Sua empresa trabalha com mudas micropropagadas de espécies amazônicas utilizando biotecnologia.
“Nosso foco são espécies amazônicas e comerciais, como camu-camu, orquídeas nativas, banana, abacaxi e pitaya. Viemos para integrar a bioeconomia, conhecer outras empresas, fazer conexões e entender melhor quem são os outros atores desse ecossistema.”
Maria conta que sua empresa nasceu a partir de um programa do próprio Sebrae.
“A Biotech surgiu por meio do edital Inova Amazônia. Foi o Sebrae que abriu essa porta.”
Outra participante é Isabel Garcia, da Roraifrut, agroindústria familiar que atua há mais de 40 anos no processamento de polpas amazônicas.
Hoje, a empresa trabalha com açaí, buriti, taperebá e agora aposta no camu-camu como novo destaque de mercado.
“O camu-camu é uma espécie riquíssima em vitamina C e estamos potencializando sua comercialização com base no extrativismo sustentável. Esse evento casa muito com o que já fazemos e abre novas oportunidades para ampliar nossa atuação.”
Ela reforça a importância da parceria com o Sebrae.
“O Sebrae é nosso berço de aprendizado. Não tem crescimento sem o Sebrae. Foi aqui que aceleramos nossa empresa e conseguimos melhorar estrutura, faturamento e conexões.”
Durante os quatro dias de curso, os participantes terão acesso a painéis, debates, experiências práticas e trocas de conhecimento entre pesquisadores, produtores e especialistas nacionais e internacionais.

