Rosilene Sousa já conhece os desafios de manter um negócio funcionando. Há dois anos, ela decidiu empreender no segmento de cosméticos e hoje divide sua rotina entre a loja física e as vendas pela internet. Nesta quinta-feira (20), ela encontrou na primeira oficina do Programa Força Mulher uma oportunidade para entender melhor o próprio negócio e transformar algumas dúvidas em conhecimento.
“Eu estou amando esse conhecimento. Tenho muitas questões em relação à gestão e acho que esse curso vai ser ideal para tirar minhas dúvidas”, contou Rosilene. Durante a oficina, ela destacou que já começou a identificar pontos que pretende colocar em prática. “Sobre a necessidade do cliente, isso tudo para mim era uma incerteza. Eu até anotei ali para já colocar em prática o que aprendi hoje.”
Rosilene é uma das 20 participantes da primeira turma do projeto-piloto da Sala da Mulher Empreendedora, iniciativa da Câmara Municipal de Boa Vista que conta com a parceria do Sebrae Roraima. A programação começou nesta quinta-feira (20), com uma oficina sobre Modelagem de Negócios (Canvas), e seguirá com outros encontros voltados à formação empreendedora.
A atividade foi conduzida pelo instrutor do Sebrae Roraima, Luãn Andrade, que apresentou o Canvas como uma ferramenta para ajudar as participantes a enxergar o negócio de forma ampla. A metodologia permite organizar informações sobre clientes, proposta de valor, estrutura, custos, recursos e fontes de receita.
“É um modelo, um plano visual desse negócio, para elas terem uma visão, um panorama geral de que tipo de recursos precisam ter, qual é o propósito, o que querem entregar para o cliente e quem é esse cliente”, explicou Luãn.
A proposta é que a capacitação seja prática e conectada à realidade das participantes. Durante a oficina, elas trabalharam diretamente no preenchimento dos diferentes blocos do Canvas, analisando tanto empreendimentos que já estão em funcionamento quanto ideias de quem ainda pretende iniciar um negócio.
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Trilha de capacitação
A oficina de Canvas é apenas a primeira etapa da programação. De acordo com Keitiane Costa, analista técnica do Sebrae Roraima, as participantes terão acesso a uma trilha de capacitação com encontros de quatro horas e conteúdos voltados aos principais desafios enfrentados por quem empreende.
Entre os temas previstos estão Plano de Negócios (Canvas), Educação Financeira, Precificação de Produtos e Serviços, Fluxo de Caixa e Técnicas de Vendas e Atendimento ao Cliente. Ao final da programação, as participantes receberão certificado.
“As demais oficinas vão trabalhar temas como formalização, fluxo de caixa e precificação. São conteúdos importantes para que elas tenham conhecimento e saibam o valor que isso representa para o negócio próprio delas e também para aquelas que ainda vão empreender”, destacou Keitiane.
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Empreendedorismo e autonomia
Elissandra Costa, gerente de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Sebrae Roraima, explica que a parceria entre a Câmara Municipal e o Sebrae Roraima utiliza a metodologia Força Mulher, pensada justamente para oferecer apoio a mulheres que precisam fortalecer sua renda ou dar os primeiros passos no empreendedorismo.
“A metodologia Força Mulher é muito direcionada às mulheres que estão no mercado de trabalho, que precisam fazer a composição da sua renda e que precisam de um apoio inicial, devido às várias atividades que desenvolvem no dia a dia”, explicou.
Segundo Elissandra, a trilha aborda diferentes aspectos necessários para estruturar um negócio, desde a produção e qualidade do produto até acabamento, preço e chegada ao mercado. A proposta também envolve uma rede de parceiros para ampliar o suporte oferecido às participantes.
“São mulheres que vêm em condições de crise, mulheres que precisam de apoio para iniciar o seu negócio, para fortalecer o negócio”, afirmou.
A vereadora Carol Dantas destacou que o projeto também prevê ações de acompanhamento psicológico e social por meio da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal. A ideia é complementar a capacitação empresarial com um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), considerando as necessidades de cada participante.
“Essa autonomia financeira é principalmente para tratar dessa questão da vulnerabilidade, onde muitas continuam em certas situações por dependência financeira e econômica”, afirmou a vereadora.

