A atuação do Sebrae em regiões mais distantes da capital ganhou força com a realização de capacitações voltadas à 4ª Feira de Agronegócio, em Normandia. A iniciativa, articulada a partir da Sala do Empreendedor do município, teve como objetivo preparar expositores e moradores para potencializar vendas, melhorar o atendimento e ampliar oportunidades de geração de renda.
À frente da ação, a coordenadora Central Norte de Atendimento do Sebrae Roraima, Jesana Figueira, destacou que a proposta vai além da qualificação pontual. “A gente entende que esse conhecimento precisa ser ampliado, não só para quem está expondo, mas para toda a comunidade”, afirmou.
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Capacitação que chega à ponta
As capacitações contemplaram a sede de Normandia e também comunidades indígenas como Camará, Nova Geração e Xumina, totalizando 122 pessoas atendidas. Entre os participantes, a maioria é formada por artesãos — público que hoje integra a feira como expositor, comercializando produtos e serviços.
Os conteúdos foram direcionados para demandas práticas do dia a dia, como técnicas de vendas, abordagem ao cliente e organização do negócio. A escolha dos temas surgiu a partir de escuta ativa dos próprios empreendedores locais, garantindo maior aderência às necessidades reais da comunidade.
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Descentralização e acesso ao conhecimento
Para Jesana, a atuação da coordenação Central Norte representa um avanço na descentralização dos serviços do Sebrae em Roraima. “Antes, as ações eram muito concentradas em Boa Vista. Agora estamos indo até os municípios, chegando em quem realmente precisa da informação”, destacou.
Esse movimento, segundo ela, é essencial para democratizar o acesso ao conhecimento e incentivar o empreendedorismo em regiões historicamente menos assistidas. A estratégia inclui não apenas ações presenciais, mas também a divulgação de ferramentas digitais, como capacitações via aplicativo e até pelo WhatsApp, ampliando o alcance do atendimento.
O impacto das capacitações já pode ser percebido entre os participantes. Em muitas das comunidades atendidas, o Sebrae foi a primeira instituição a levar orientações estruturadas sobre vendas e atendimento.
“Eles disseram que faziam tudo por conta própria, do jeito que achavam certo. Ter essa orientação de como se organizar e atender melhor faz toda a diferença”, relatou a coordenadora.
Casos como o de uma participante que decidiu retomar as atividades comerciais após a oficina ilustram o alcance da ação. “Ela falou que sentiu vontade de voltar a vender, de atender as pessoas novamente. Isso mostra que estamos despertando esse potencial”, contou Jesana.
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Novas demandas e continuidade das ações
Além dos resultados imediatos, as capacitações também geraram novas demandas. Entre elas, a necessidade de aprimorar embalagens para produtos artesanais — uma dificuldade apontada pelos próprios empreendedores, que enfrentam limitações na comercialização para outros mercados.
As solicitações já foram registradas para futuras ações, reforçando o compromisso do Sebrae em manter presença contínua nas comunidades. “A gente planta a sementinha do conhecimento e incentiva que eles busquem mais. E vamos voltar, outras vezes, e chegar a novos lugares também”, afirmou.
A iniciativa evidencia o papel do Sebrae como agente de transformação social e econômica, especialmente em regiões mais afastadas, onde o acesso à informação ainda é um desafio. Em Normandia, o resultado já começa a aparecer — seja no fortalecimento dos negócios locais ou no despertar de novos empreendedores.

