Segundo uma pesquisa divulgada na véspera no Ano Novo, realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes e Lojista (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), os brasileiros já iniciaram 2020 preocupados com dinheiro.
A pesquisa ouviu mais de 600 pessoas nas 27 capitais brasileiras e quando perguntadas sobre o que queriam para 2020, a maioria afirmou que quer ganhar dinheiro (16%). Outros 6% disseram que querem quitar suas dívidas e mais 5% gostariam de conquistar um emprego. A preocupação com as finanças superou temas como encontrar um amor citado por 6% dos entrevistados.
A explicação para essa preocupação está ainda em 2019. Em outubro do ano passado, o brasileiro atingiu o maior patamar de renda comprometida com dívidas desde de 2017, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Pesquisa de Endividamento do Consumidor Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O estudo mostrou que 65,1% das famílias brasileiras estavam endividadas, senado que a parcela média de renda comprometida com dívidas ficou em 29,9%; dos entrevistados, 10,1% afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas.
“O endividamento é um problema para a economia e para as pessoas. Se você não sabe lidar com o dinheiro, automaticamente, você não vai ter crédito, você não condições de gerir melhor o seu orçamento familiar. Isso reflete não apenas na família, mas na economia como um todo”, explicou o analista técnico do Sebrae Roraima, Jefferson Silva.
E uma alternativa que pode melhorar a relação do brasileiro com seu próprio dinheiro está surgindo dentro das salas de aulas. A partir deste ano, o eixo educação financeira passa a ser obrigatório na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino infantil e fundamental como disciplina transversal, ou seja, tema que deve ser trabalho em aulas de matemática, geografia, português, etc.
A expectativa é que o conteúdo ajude a formar cidadãos mais responsáveis sobre suas finanças e consequentemente, que isso ajude a reduzir o endividamento da população brasileira.
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Mudanças de Hábito
Para quem já saiu da sala de aula, a melhor maneira de conquistar a saúde financeira é mudando os hábitos de consumo. Esse é um tema que o Sebrae Roraima tem incluído nas suas ações para orientar especialmente, os pequenos empreendedores sobre o risco do endividamento.
“O Sebrae trabalha com essa temática há algum tempo, desde que observamos que a maioria dos empresários e especialmente, os MEI estavam com pendências no pagamento das suas responsabilidades. Eles não estavam recolhendo corretamente e nós verificamos que isso era um comportamento de protelar o pagamento que se tornava uma bola de neve”, disse Jefferson Silva.
Hoje, o Sebrae oferece desde palestras, orientações, Seminários de Acesso ao Crédito, vídeos tutoriais e até consultorias especializadas em finanças. “Existe uma gama de informações. Basta que o empreendedor procure e coloque em prática. Não basta a pessoa conhecer o problema. Ele tem que tomar uma atitude e tem que mudar hábitos”, afirmou.
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5 dicas para vencer a dívida e ter tranquilidade
Jefferson é um dos colaboradores do Sebrae Roraima que ministra palestra sobre gestão financeira. Um aprendizado que ele trouxe de casa, herança da mãe que sempre orientou sobre e necessidade de ter uma reserva financeira e o controle de gastos. Confira as dicas que ele traz:
1. Valor da Dívida
Para quem está endividado, Jefferson orienta que o primeiro passo é fazer um levantamento de quanto está devendo.
2. Planejamento
Fazer um planejamento financeiro, usando planilhas ou aplicativos que permitam o controle real de todos os gastos.
3. Reduza o Lazer
Gastos com lazer podem comprometer uma fatia importante do orçamento. Para quem está endividado, uma das formas de iniciar o equilíbrio financeiro é cortar esse tipo de despesas. “Para se equilibrar, ele vai ter que abrir mão de algumas coisas. Ou buscar uma outra atividade que complemente a renda e ajude a quitar a dívida”, explicou.
4. Poupar
Segundo Jefferson é sempre importante guardar um pouco do que se ganha. A margem de segurança seria entre 10 e 15% de todos os ganhos, que passam a compor uma reserva financeira. “Independente do valor que se ganhe, é importante poupar”.
5. Consumo Consciente
O último aprendizado trata de consumir de maneira mais criteriosa. Para Jefferson, é preciso aprender a analisar se a compra é necessária e como ela compromete a saúde financeira da família ou do empreendimento. “Se ele realmente precisa de algo, ele compra. Se não, ele guarda dinheiro. No caso do empreendedor, também é necessário avaliar o momento certo da compra e em quanto tempo, ele terá o retorno do dinheiro investido”.
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Na palma da mão
O controle financeiro está literalmente na palma da mão. Hoje, são vários os aplicativos e outras ferramentas que podem ser adicionadas ao smartphone para auxiliar nesse processo de reeducação.
Jefferson indica o aplicativo Mobills Controle Financeiro, disponível gratuitamente nas plataformas de app. Com uma interface fácil, ele ajuda a visualizar onde estão concentrados os maiores gastos e assim, definir o orçamento específico de cada área.
O planejamento financeiro também é disponibilizado na maioria dos aplicativos de bancos que permitem desde a visualização dos gastos, passando pelo planejamento orçamentário até organização de reserva financeiras com objetivos específicos como comprar uma casa ou um carro
Mas, independente da ferramenta utilizada, é preciso ter o hábito de anotar os gastos e analisar os dados fornecidos. “As informações precisam ser registradas corretamente e é muito importante que se aprenda a anotar todos os gastos realizados”, concluiu.
