Produtores e extrativistas de açaí de Roraima criaram uma associação para fortalecer a representação do setor e avançar na busca pela Indicação Geográfica (IG) do fruto. Formalizada no dia 2 de setembro, a organização reúne os dois segmentos e terá entre as primeiras tarefas levantar informações que ajudem a identificar as características que diferenciam o açaí produzido no estado.
Segundo Maria Isabel Garcia Ribeiro, presidente eleita pelos produtores, a formalização atende à necessidade de criar uma estrutura organizada para o processo de reconhecimento e representar as diferentes formas de produção existentes em Roraima.
“A associação surgiu principalmente em prol da demanda pela formalização da IG aqui no estado. Para avançar com a Indicação Geográfica, é necessário ter uma associação estruturada”, explicou.
De acordo com Isabel, os extrativistas representam cerca de 70% do setor no estado, enquanto o cultivo comercial em terra firme também vem crescendo. A intenção é aproximar os dois segmentos e enfrentar desafios comuns, principalmente relacionados à valorização da matéria-prima.
Segundo a presidente, produtores que investem no cultivo enfrentam custos elevados com implantação e manutenção das áreas, incluindo adubação, irrigação e manejo. Mesmo assim, em determinados períodos, o preço recebido pelo fruto não acompanha o investimento.
Os extrativistas, por sua vez, também estão sujeitos às oscilações de preço. Isabel explicou que muitos fazem a coleta em propriedades particulares e precisam adquirir a matéria-prima dos donos das áreas.
“Um dos principais desafios dos produtores locais e dos extrativistas são as oscilações no preço da matéria-prima. Precisamos olhar para os desafios de cada um e buscar um denominador comum entre a produção local e o extrativismo”, afirmou.
Outro desafio é o escoamento. Durante a safra, segundo Isabel, parte significativa do açaí produzido em Roraima segue para outros mercados, principalmente Manaus. Com menor oferta local, empresas e feirantes do estado enfrentam dificuldades para adquirir o fruto e, em alguns casos, pagam valores mais altos. “Queremos aproveitar mais essa produção no nosso estado e valorizar a bioeconomia local”, disse.
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Indicação Geográfica é próximo passo
O açaí foi identificado pelo Sebrae Roraima como um dos produtos com potencial para receber uma Indicação Geográfica, a partir de um diagnóstico realizado pelo Projeto de Indicações Geográficas. A criação da associação é uma etapa importante para estruturar a participação dos produtores no processo.
A analista técnica de informação do Sebrae Roraima, Fabiana Duarte, explicou que a entidade fortalece a representatividade do setor e cria uma base de governança para as próximas fases.
“A criação da Associação dos Produtores de Açaí de Roraima representa um passo importante para a organização e o fortalecimento dos produtores, especialmente pensando na construção da IG do açaí de Roraima”, afirmou.
Segundo Fabiana, o processo ainda está em estruturação e envolve o levantamento de informações sobre o fruto e o território, a definição de critérios de qualidade e identidade e a elaboração do caderno de especificações técnicas, necessário para o pedido de reconhecimento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
Os estudos deverão analisar aspectos como sabor, cor, textura, sólidos totais e nutrientes, além das particularidades dos diferentes genótipos encontrados no estado. A intenção é comprovar quais características estão relacionadas ao território e podem sustentar o reconhecimento da IG.
Isabel explicou que a associação pretende trabalhar com instituições de pesquisa e inovação para reunir esses dados e analisar tanto o açaí cultivado comercialmente quanto o obtido por extrativismo.
“Precisamos realmente colher dados reais sobre as qualidades do açaí aqui no nosso estado e identificar o que faz esse produto ser diferente. Isso depende de pesquisa e é o que estamos buscando agora”, afirmou.
Para Fabiana, a Indicação Geográfica pode contribuir para agregar valor ao produto, fortalecer a identidade territorial, ampliar a competitividade e abrir oportunidades em novos mercados. Ela ressaltou que o reconhecimento vai além de um selo, pois envolve a valorização da origem e a organização dos produtores.
O Sebrae Roraima atua na articulação entre produtores, instituições e parceiros por meio do Projeto de Indicações Geográficas, apoiando a estruturação da associação e as etapas necessárias para a construção do pedido de reconhecimento.
Para Isabel, o objetivo é fazer com que o processo também gere resultados para quem está diretamente envolvido na atividade. “Precisamos valorizar quem está lá na ponta, quem está fazendo a coleta, as comunidades extrativistas e os produtores locais. É isso que espero com a organização”, concluiu.

