Quando se fala em trabalho no campo, logo vem à mente a rotina puxada de quem vive da terra. Mas é justamente desse esforço que nasce o sustento de muitas famílias. No sul de Roraima, onde a agricultura familiar é uma das principais bases da economia local, histórias de mulheres que transformam o trabalho rural em oportunidade de crescimento têm ganhado cada vez mais espaço.
Nesta série especial sobre mulheres empreendedoras, o Sebrae Roraima destaca a trajetória de Vilmara Ramos da Costa, produtora de cacau no município de Caroebe.
Aos 49 anos, mãe de cinco filhos, Vilmara vive na comunidade Entre Rios, na Vicinal 15. Filha de agricultores, cresceu no interior e sempre esteve ligada à vida no campo.
“Nasci e me criei na agricultura. Fiquei um tempo morando na cidade, mas não me adaptei. Voltei para o interior porque é aqui que eu gosto de viver e trabalhar”, conta.

Hoje, a propriedade reúne diferentes cultivos, entre eles banana, abóbora, maxixe, quiabo, melancia, macaxeira e cacau. Foi justamente essa última cultura que passou a ocupar um espaço importante nos planos da produtora.
O plantio de cacau começou por volta de 2018, motivado pela curiosidade e pela vontade de experimentar novas alternativas de produção.
Na época, sem orientação técnica adequada, o caminho não foi simples. Parte da plantação acabou sendo perdida e a área cultivada precisou ser reduzida.
Mesmo diante das dificuldades, Vilmara decidiu continuar, “hoje tenho cerca de 940 pés de cacau produzindo. Antes eu tinha mais, mas perdi parte da plantação porque ainda não sabia manejar direito. Agora estou aprendendo e recuperando o que foi plantado”, explica.
A produtora já iniciou uma nova etapa do cultivo, com mudas em desenvolvimento e a expectativa de ampliar novamente a área produtiva com mais de 1.400 mudas.
Apoio técnico
Há quase dois anos, Vilmara passou a passou a fazer parte do projeto Cacau Amazônia, realizado pelo Sebrae e diversas instituições parceiras, como por exemplo, o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Roraima (Iater), onde passou a receber consultorias mensais por meio das iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção agrícola na região. O acompanhamento tem ajudado a melhorar o manejo das lavouras e a organizar a produção.
“O consultor vem na propriedade, orienta sobre adubação, manejo da banana, da laranja e também do cacau. Isso ajuda muito porque a gente aprende como cuidar melhor da plantação”, afirma.
Além das consultorias, a produtora também participa de cursos e reuniões voltadas ao desenvolvimento da atividade rural.
“Já participei de vários cursos do Sebrae e também faço parte do grupo do cacau. Tudo isso ajuda a gente a entender melhor como trabalhar e melhorar a produção”, destaca.
Produção que sustenta a família
A agricultura é atualmente a principal fonte de renda da produtora. Parte da produção é vendida para atravessadores, outra parte segue para o mercado local e também para a merenda escolar por meio das associações de produtores.
Vilmara participa da Associação dos Produtores Rurais de Entre Rios, iniciativa que ajuda a organizar a comercialização dos alimentos produzidos na região. “Tudo que eu produzo ajuda na renda da família. A gente vende banana, verduras, frutas e também o cacau”, explica.
Apesar do trabalho intenso, ela considera a agricultura uma atividade gratificante. “É cansativo, o sol é quente, mas quando chega a colheita e você vê o resultado do trabalho, é muito bom”, afirma.
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Mulheres que transformam o campo
Mesmo com a rotina exigente da propriedade, Vilmara destaca o crescimento da participação feminina nas atividades agrícolas da comunidade.
Segundo ela, cada vez mais mulheres estão envolvidas na produção, na colheita e também na comercialização dos alimentos.
“Antigamente muitas mulheres ficavam só com as atividades de casa. Hoje não. A gente trabalha na roça, planta, colhe e também participa da venda da produção”, conta.
Na associação, por exemplo, grupos de mulheres participam diretamente da entrega de alimentos destinados à merenda escolar.
“Nós mesmas carregamos, transportamos e entregamos os produtos nas escolas. Tem motorista mulher, produtora mulher, todo mundo ajudando”, relata.

Orgulho de viver da agricultura
Para Vilmara, trabalhar na roça é um modo de vida construído desde a infância e que continua sendo motivo de orgulho. Ela afirma que a dedicação diária vale a pena o esforço quando chega o momento de colher e comercializar a produção.
“Quando a gente planta, limpa, aguenta o sol e depois vê o resultado, dá uma satisfação muito grande. É dali que vem a minha renda, é dali que eu sobrevivo.Estou aprendendo cada vez mais e quero continuar melhorando a produção”, afirma.
Mesmo enfrentando desafios comuns à agricultura familiar, a produtora segue motivada a ampliar o cultivo de cacau e fortalecer a atividade na propriedade.
