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3ª edição da Jornada da Reforma Tributária reforça preparação de empresários para mudanças em Roraima

Evento realizado no Edifício Sebrae Airton Dias reuniu especialistas e empreendedores para esclarecer impactos da nova legislação a partir de 2026
Por Sebrae RR
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A 3ª edição da Jornada da Reforma Tributária reuniu empresários, contadores e profissionais da área fiscal na noite desta terça-feira (07), no Edifício Sebrae Airton Dias, em Boa Vista. O encontro foi marcado por dúvidas, preocupações e também pela busca por respostas diante das mudanças que começam a valer já em 2026.

Promovido pelo Sebrae Roraima, o evento trouxe como destaque a palestra do contador e representante da SESCON/RR, João Paulo Wanderley, que apresentou de forma prática os principais impactos da reforma e alertou para a necessidade de preparação imediata por parte das empresas.

Durante a apresentação, ele explicou que 2026 será um ano de adaptação ao novo modelo de tributação sobre o consumo, com a introdução do chamado IVA Dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).. Nesse período, as empresas já deverão emitir notas fiscais com a indicação dos novos tributos, mesmo com uma cobrança inicial reduzida.

“Esse é um ano de preparação. As empresas já vão precisar emitir notas fiscais com destaque dos novos tributos e ajustar seus sistemas. Não é um bicho de sete cabeças, mas exige conhecimento e organização para não ser pego de surpresa”, explicou.

Na prática, a fase inicial prevê a aplicação de uma alíquota simbólica de 1% sendo 0,9% da CBS e 0,1% do IBS, ainda compensável com os tributos atuais. No entanto, a mudança exige adequação imediata de sistemas e processos internos das empresas.

A reforma tributária é considerada a maior já realizada no país e prevê a substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI) por novos modelos mais simples e transparentes. A implementação será gradual, com início efetivo em 2027 e conclusão até 2033.

Além do novo sistema de consumo, outras mudanças já passam a valer em 2026, como:

●     Tributação de 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais;

●     Redução de benefícios fiscais de PIS/Cofins a partir de abril;

●     Majoração da base de cálculo do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para empresas do lucro presumido com faturamento acima de R$ 5 milhões ao ano.

Outro ponto destacado foi a estimativa da nova carga tributária sobre consumo, que pode variar entre 26,5% e 28,6%, com impacto mais significativo no setor de serviços.

O novo modelo também traz mudanças estruturais importantes, como a não cumulatividade plena que permite o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva e a adoção do princípio do destino, em que o imposto passa a ser arrecadado no local de consumo, reduzindo a chamada guerra fiscal entre estados.

Para a analista técnica do Sebrae/RR, Adlany Oliveira, a jornada tem justamente o objetivo de reduzir a insegurança do empresariado diante desse cenário.

“Esse é um ano educativo. Muitos empresários ainda têm dúvidas e até receio de emitir nota fiscal. Por isso, estamos oferecendo essas capacitações de forma gratuita, para trazer clareza, segurança jurídica e ajudar nesse processo de transição”, destacou.

Ela também reforçou que o Sebrae segue com programação contínua, incluindo palestras, oficinas e atendimentos nas unidades da instituição, além de ações como a Semana do MEI, com capacitações em gestão, finanças e planejamento.

O diretor superintendente do Sebrae/RR, Emerson Baú, alertou para os impactos diretos da reforma na formação de preços e na competitividade das empresas.

“O empresário vai precisar entender melhor seus custos, seus fornecedores e o mercado. Dependendo da origem do produto e do regime tributário, o preço final pode mudar. É um momento que exige preparo para garantir a sustentabilidade do negócio”, afirmou.

A preocupação também foi relatada por empresários presentes no evento. O consultor John D’Ávila Rosa Soares destacou que a falta de definição completa sobre o novo sistema ainda gera cautela no mercado.

“Tem empresas interessadas em investir em Roraima, mas estão aguardando mais clareza. É difícil tomar decisões de investimento sem entender completamente o impacto tributário”, explicou.

Já a auxiliar fiscal e contábil Laura Lorani Santana, ressaltou a importância da qualificação diante das mudanças.

“Vai ser necessário analisar cada empresa, entender qual regime é mais vantajoso e como orientar os clientes. A reforma muda a dinâmica do mercado e exige preparo técnico”, avaliou.

Outro ponto de atenção destacado durante a palestra é o prazo de setembro de 2026, quando empresas, especialmente do Simples Nacional, deverão definir como irão se posicionar no novo modelo tributário a partir de 2027, essa decisão pode impactar diretamente a competitividade e a relação com clientes.

Diante desse cenário, o Sebrae tem intensificado as ações de orientação. A programação segue ao longo do ano, com novas edições da Jornada da Reforma Tributária, além de oficinas e capacitações voltadas à gestão empresarial. Segundo o Sebrae/RR esse é o momento é de se informar, planejar e agir para enfrentar as mudanças que já estão em curso.