
Para tornar o empreendedor o protagonista do desenvolvimento de Roraima e do Brasil, é preciso começar a integrar os espaços e construir um ambiente capaz de gerar ideias inovadores e aplicáveis. E foi nesse clima, que a sexta-feira (07), no SebraLab encerrou a semana repleta de novas possibilidades na 12ª edição do Encontro Científico do Programa Bolsa de Inovação Tecnológica de Roraima – BITERR.
Após seis meses desenvolvendo o projeto, os bolsistas apresentaram para quem passou pelo evento as diferentes possibilidades de inovação desenvolvidas por eles durante o Programa e defenderam as suas ideias diante dos avaliadores que definiram as mais inovadoras desta edição.
Rônia Barker, superintendente do IEL, explica que o objetivo do programa é fazer com que as empresas estejam cada vez mais assistidas em melhorias para que Roraima tenha um mercado mais competitivo com produtos de qualidade.
“Os alunos geram projetos que oferecem solução a esse setor produtivo e com isso temos uma taxativa de produtos com mais qualidade, trazendo ao consumidor um foco mais inovador nas empresas. Portanto, essa premiação é uma forma de reconhecer esses projetos que com certeza contribuem com o crescimento econômico do Estado” disse a superintendente.
A acadêmica do Instituto Federal, Ruth Vandolver, está no 5º semestre para se tornar Tecnóloga em Saneamento Ambiental e viu no Programa uma oportunidade de transformar o conhecimento em algo aplicável no mercado.

Em parceria com o Matadouro e Frigorífico Monte Cristo ela elaborou um projeto para modificar o sistema atual de tratamento dos resíduos oriundos do curral com o intuito de beneficiar o proprietário, mas o meio ambiente também, uma vez que a ideia de mudar o sistema atual de lagoas de estabilização para as esterqueiras, gera um novo subproduto que o proprietário poder vender para as casas agropecuárias.
“A proposta é colocar uma esterqueira para fazer a separação do liquido e do sólido e gerar esse subproduto, que seria o adubo orgânico gerando um retorno econômico para o proprietário e também para o meio ambiente, evitando a abertura de mais áreas para lagoas de estabilização” explica Ruth.
O Biterr, é uma iniciativa do IEL/RR, mas conta com o apoio do Sebrae RR, no apoio financeiro e técnico e do Senai/RR que acreditam no poder transformador da educação empreendedora. E a resposta dessa parceria tem sido positiva e rendido bons resultados, apontou o gerente de Startups do Sebrae, Luã Andrade.
“Em outras edições, por exemplo, tivemos pessoas que com seus projetos iniciaram um empreendimento. Por meio do Biterr, o Sebrae consegue entrar no meio acadêmico e estimular os alunos nesse ambiente de empreendedorismo. E então eles começam a visualizar o seu projeto como um potencial para virar uma empresa e ir para o mercado” disse Luã.
Durante o Encontro Científico muitas soluções foram apresentadas, e o avaliador técnico do Senai Robério Uchôa, foi um dos responsáveis por entender as reais condições, custo-benefício e prática dessas ideias que podem virar futuros negócios.
“A gente avalia a viabilidade econômica desses projetos e se eles realmente são possíveis de colocar em prática. Isso vai ajudar a alavancar a nossa economia aqui no estado, que é um dos principais objetivos do Biterr, transformar nosso Estado num estado produtor de inovação” aponta Rogério.
A acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Roraima, Vitória Maduro, participou com o projeto “Liberdade para Ser Cão” que busca o aperfeiçoamento de serviços e expansão do DayCare dos Pets. Tudo é pensado para que sejam realizadas atividades que evitem o estresse e ociosidade dos cães, com o foco na qualidade de vida deles e utilizando recursos de baixo custo e recicláveis, como por exemplo, um comedouro giratório feito com uma garrafa de refrigerante, que ele trabalha a cognição do cão para ele entender como obter essa ração, então ele vai entender que precisa girar a garrafa para conseguir.

A empresa atendida com o projeto é nova no Estado e a única com essa ideia de ser uma creche para cães, segundo a futura veterinária, eles necessitavam melhorar a produtividade e qualidade do serviço oferecido. Por meio da orientação aos tutores e dos funcionários do DayCare, uma cartilha de bem-estar foi entregue para que as melhorias realizadas dentro da empresa sejam expandidas para dentro das casas.
“Então a gente queria trabalhar essa ideia de expressar o comportamento natural, de trazer de volta o instinto, trabalhos olfativos, cognitivos. Fazendo veterinária eu vejo o quanto o mercado pet cresce, e isso vai contribuir com a minha carreira, porque trabalhando nesse projeto específico com comportamento animal, eu pude aprender um pouco mais de como entender os animais”disse Vitória.
A integração desses meios, ajuda tanto os negócios, quanto os alunos que podem inovar e fazer parte da melhoria na produtividade das empresas. Uma visita prévia é realizada para identificar os problemas enfrentados na empresa e depois as instituições de ensino são procuradas para buscar por alunos que estejam interessados a desenvolver soluções.
“Alguns alunos já tem projetos definidos quando entram, então identificar previamente essas problemáticas, possibilita por exemplo, se o aluno já tem uma ideia que soluciona uma necessidade da empresa, então já fazemos esse link. Somos uma ponte para possibilitar essas conexões transformadoras” enfatiza, a coordenadora técnica do programa Biterr por meio do IEL, Rafaela Reis.
PROJETOS GANHADORES
Participando pela primeira vez do programa BITERR, Victor Cavalcante, estudante de engenharia civil na UFRR, conquistou o primeiro lugar com seu projeto “Protótipo de Britador de Resíduo de Vidro”.

“Foram seis meses de desenvolvimento que fizerem eu me desafiar por diversas vezes para dar continuidade, então ganhar esse prêmio é de extrema importância para a minha vida acadêmica, profissional e quem sabe futuramente minha carreira no mundo empreendedor” afirmou o estudante.
O segundo lugar ficou com o projeto “Liberdade para Sercão: Aperfeiçoamento de Espaço e Serviço Day Care”, da estudante de veterinária da UFRR, Vitória Maduro.

“Acredito que todos os universitários deveriam passar por essa experiência, pois o ambiente acadêmico é um mundo totalmente diferente do mercado e ter tido essa oportunidade e ter ganhado o segundo lugar, é um mérito não somente meu, mas da empresa que adotou a ideia do trabalho e do meu professor orientador” esclareceu a acadêmica.
Em terceiro lugar ficou o projeto “Sistema de avaliação e vínculo médico-paciente”, do estudante de medicina na UERR, Livio Dalpasquale.

“Conheci o BITERR através de um colega que me explicou a finalidade do programa, foi quando decidi que iria transformar essa ideia que eu planejava colocar em prática somente quando tivesse um consultório, mas com essa chance de desenvolver e ainda ter ganhado foi uma experiência que com certeza vai contribuir na minha carreira e pretendo dar continuidade” finalizou Livio.
Além dos três projetos ganhadores da edição, a premiação foi dividida em categorias individuais sendo: Aluno Destaque, Professor Destaque e Empresa Destaque.
