ASN RR
Compartilhe

Número de microempreendedores estrangeiros cresce 73% no Brasil

Em Roraima os MEI’s estrangeiros representam 7,81% do total
Por Sebrae/RR
ASN RR
Compartilhe
Norelis Madriz está no Brasil desde 2019, e empreende na área de artesanato.

O número de estrangeiros registrados como MEI (Microempreendedor Individual) no Brasil disparou nos últimos anos e ultrapassou os 74 mil, segundo levantamento realizado pelo Sebrae com base em dados da Receita Federal.

Dado se refere ao número de pessoas jurídicas (matriz e filial) ativas até maio de 2023. O estudo apurou ainda as atividades em que os empreendedores estrangeiros atuam: 1 a cada 4 trabalham com comércio ou fabricação de roupas, além da área da beleza e alimentação que também estão entre as atividades mais executadas por estrangeiros.

Em maioria, os empresários são de países da América Latina e os Venezuelanos estão no topo da lista com 14% dos negócios, seguidos pelos bolivianos. Na região Norte, o Tocantins apresenta o menor percentual (0,15%) em relação ao total (77.638); Amazonas apresenta o maior número de MEI estrangeiro (1.964); e Amapá apresenta o menor número (78), Roraima conta com 1.611 MEIs estrangeiros ativos.

“Especificamente em Roraima, a geração de empregos formais e de novos negócios vem se destacando e devido à migração, apresenta o maior percentual de MEIs ativos no Brasil. Esses negócios fortalecem a economia local e geram emprego e renda” ressalta Eckner Oliveira, coordenador de análise de dados do Sebrae/RR.

Em virtude da crise política e econômica enfrentada pela Venezuela nos últimos anos, muitos venezuelanos têm buscado refúgio em países vizinhos, incluindo o Brasil. Roraima, um estado localizado na região norte do Brasil e que faz fronteira com a Venezuela, tem recebido um grande número de venezuelanos em busca de melhores condições de vida.

Apesar dos desafios e dificuldades enfrentados pelos venezuelanos em Roraima, muitos deles têm demonstrado espírito empreendedor e estão contribuindo para a economia local através da criação de negócios próprios. Alguns exemplos de empreendimentos venezuelanos em Roraima incluem restaurantes, serviços de beleza e estética, além do artesanato.

É o caso de Norelis Madriz, engenheira de produção e venezuelana que empreende com artesanato colaborativo no Centro de Artesanato da Orla Taumanan, comercializando materiais próprios e de outros colegas artesãos da Venezuela. Ela chegou ao país em 2019 e já era proprietária de uma agência de turismo com venda de artesanato, em Caracas.

“Eu já conhecia Boa Vista e quando a fronteira fechou as coisas ficaram bem difíceis, literalmente fugi com minha filha Maria Paula e meu artesanato. Comecei vendendo na rua, em praças da cidade e logo fui incentivada por amigos a buscar um local físico para expor e vender meus trabalhos. O nome da lojinha também é uma homenagem a minha filha primogênita que se foi, mas levo com carinho e me dá forças para seguir a trilha empreendedora” relembra.

-

A artesã relata que sempre foi muito focada e organizada durante os processos de criação, e ao chegar no Brasil buscou compreender os produtos que o público local mais procurava. Foi quando em setembro de 2021 formalizou o MEI e conheceu o projeto Sebrae Delas, voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.

“Foi maravilhoso. Abriu minha mente ao ouvir as histórias de outras mulheres e saber que todas, independente da nacionalidade, enfrentam desafios durante o caminho empreendedor. Sempre busco me capacitar através do Sebrae com cursos essenciais para que eu desenvolva da melhor forma a lojinha e atenda as necessidades dos clientes” afirma.

Apesar dos desafios enfrentados, esses empreendedores estão buscando oportunidades para reconstruir suas vidas e contribuir para a economia local, trazendo consigo sua cultura, habilidades e talentos.

-