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De professora a empreendedora: imigrante venezuelana aposta na personalização para recomeçar em Roraima

Ana Maria é uma das 20 mulheres que participam da Trilha de Empreendedorismo realizada pelo Sebrae Roraima em parceria com a Organização Internacional para as Migrações
Por Sebrae RR
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A venezuelana Ana Maria chegou a Roraima em 2017, acompanhada do filho de três anos, depois de deixar o país onde trabalhava como professora. Em Boa Vista, enfrentou dificuldades, xenofobia, a pandemia e problemas de saúde. Foi nesse período que encontrou no artesanato e, depois, na sublimação, uma forma de recomeçar. Hoje, mãe de quatro filhos, ela mantém um pequeno negócio de produtos personalizados em casa, no bairro Santa Tereza, e é uma das 20 mulheres que participam da Trilha de Empreendedorismo, iniciada nesta segunda-feira (21), pelo Sebrae Roraima em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

 

Antes de começar a empreender, Ana trabalhou por dois anos em uma escola particular em Roraima. Com a pandemia, deixou o emprego e passou a buscar alternativas para ajudar nas despesas da família. Foi quando começou a fazer artesanato e, depois, se interessou pela sublimação. “Eu já estava acostumada a trabalhar a vida toda. Então, comecei a fazer artesanato, porque tinha habilidade com trabalhos manuais. Depois, conheci a sublimação, a criação de artes e o design, e comecei a criar algumas peças”, contou.

O negócio começou de maneira simples. Em 2024, Ana usava um computador antigo, criava as artes, levava os arquivos para uma gráfica e comprava as camisetas para fazer as estampas em casa, com um ferro. Depois, conseguiu adquirir a própria impressora e passou a ampliar os serviços.

Atualmente, ela trabalha com camisetas, canecas e chaveiros personalizados, além de serviços de papelaria, como impressões e plastificações. Os pedidos chegam pelo WhatsApp e Instagram, mas ela também recebe clientes no próprio apartamento, onde mantém um espaço para o negócio. “Eu amo personalizar a vida das pessoas. Às vezes, elas têm um sonho ou uma ideia na cabeça, e nós conseguimos transformar isso em algo que elas podem tocar. É muito gratificante ver o sorriso quando recebem a arte pronta”, afirmou.

O próximo objetivo é abrir a própria loja. A experiência como professora também influencia os planos de Ana, que quer compartilhar o que aprender com outras mulheres que desejam empreender. “Nem todo mundo empreende apenas para ganhar dinheiro. Muitas vezes, empreender é uma forma de superar uma situação difícil, ajudar os filhos e a família e reconstruir a própria vida”, disse.

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Trilha de Empreendedorismo

A Trilha de Empreendedorismo reúne 20 mulheres migrantes em oficinas sobre educação financeira, precificação, marketing, atendimento ao cliente e metodologia CANVA. A programação segue até sexta-feira (25) e faz parte do projeto Empreendedores em Movimento, da OIM, que apoia migrantes que já empreendem ou desejam iniciar um negócio em Roraima.

Segundo a assistente sênior de projetos da equipe de Integração Socioeconômica da OIM, Angélica Triani, a parceria com o Sebrae oferece formação técnica para ajudar as participantes a desenvolverem seus negócios e se estabelecerem. “Com o apoio do Sebrae, conseguimos oferecer capacitação técnica para que essas pessoas desenvolvam e impulsionem seus negócios”, explicou.

 

Para a analista da Unidade de Políticas Públicas e de Desenvolvimento Territorial (Uppdt) do Sebrae, Keitiane Costa, a trilha une conhecimento teórico e prática. “Vamos trabalhar temas importantes para o empreendedorismo, como vendas, atendimento ao público e marketing, unindo a parte teórica das oficinas à prática. Essa metodologia permite que as participantes interajam, tirem dúvidas e compreendam melhor a dinâmica do empreendedorismo”, afirmou.