Catadores de materiais recicláveis de Boa Vista e Caracaraí iniciaram, nesta terça-feira (4), uma trilha formativa voltada à gestão, empreendedorismo e fortalecimento das associações. A programação, realizada no Sebrae Ataíde Teive, segue até quinta-feira (6) e reúne representantes das associações Terra Viva, da capital, e Cata Tudo, de Caracaraí, em oficinas que abordam finanças, liderança, planejamento financeiro, atendimento ao cliente, comercialização de recicláveis, educação ambiental e sustentabilidade.
Promovida pelo Sebrae Roraima em parceria com o Fórum Estadual Lixo e Cidadania de Roraima (FELC-RR), a iniciativa busca oferecer ferramentas para que os participantes aprimorem a gestão das associações, fortaleçam a organização interna, desenvolvam habilidades empreendedoras e ampliem a eficiência do trabalho realizado diariamente com a coleta, triagem e comercialização de materiais recicláveis.
A analista da Unidade de Atendimento do Sebrae, Adlany Oliveira, destacou que a capacitação surgiu após uma demanda apresentada pelo Fórum Estadual Lixo e Cidadania, que buscava apoio para fortalecer a categoria por meio da qualificação.
Segundo ela, a proposta foi construída para oferecer aos catadores conhecimentos que possam ser aplicados diretamente na administração das associações e no desenvolvimento das atividades.
“Nós vamos trabalhar temas como finanças, empreendedorismo, liderança, trabalho em equipe, planejamento financeiro, atendimento e vendas. A ideia é proporcionar conhecimento de gestão para que essas pessoas possam aplicar nas associações onde atuam”, disse.
Adilane explicou ainda que o Sebrae é responsável pelos conteúdos voltados à gestão empreendedora, enquanto o fórum coordena os módulos sobre educação popular e sustentabilidade, com apoio da Universidade Federal de Roraima (UFRR), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista e de outras instituições que integram o colegiado.
A coordenadora-geral do Fórum Estadual Lixo e Cidadania de Roraima, Jessica Góes, explicou que a trilha formativa foi estruturada para fortalecer o protagonismo dos catadores e contribuir para que as associações atuem de forma cada vez mais organizadas e sustentáveis.
Ao longo dos três dias serão oferecidos seis módulos, divididos entre conteúdos de gestão e temas voltados à educação popular. A programação inclui associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, gestão financeira, liderança, segurança no trabalho, comercialização de recicláveis e educação ambiental.
“O objetivo é fortalecer as associações e cooperativas, ampliar a autonomia dos catadores e promover uma gestão mais eficiente dos seus negócios. Investir na qualificação dessas pessoas é investir em inclusão social, economia circular e sustentabilidade para todo o estado”, afirmou.
Segundo Jessica, a programação também aborda legislação ambiental, gestão integrada de resíduos sólidos, mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). O intuito é mostrar aos participantes como a atividade desempenhada pelos catadores contribui diretamente para a preservação ambiental e para o cumprimento das metas globais de desenvolvimento sustentável.
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Capacitação voltada para a prática
Presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis Terra Viva, Charana Souza afirmou que a expectativa é aproveitar os conhecimentos adquiridos durante a trilha para melhorar o funcionamento da associação e fortalecer o trabalho desenvolvido pelos catadores.

“Estamos muito felizes com essa oportunidade. Quanto mais aprendizado e conhecimento adquirirmos, melhor será para desenvolver nosso trabalho, ampliar nossos serviços e fortalecer a reciclagem. Não queremos apenas aprender na teoria, mas colocar tudo isso em prática no dia a dia da associação”, destacou.
Atualmente, a Terra Viva conta com 20 catadores, que atuam de segunda a sábado nas atividades de coleta, triagem e separação dos materiais recicláveis. Além de receber doações, a associação também realiza rotas de coleta em diversos pontos de Boa Vista.
Segundo Charana, iniciativas de capacitação representam uma oportunidade de fortalecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais que contribuem diariamente para a preservação ambiental e para a geração de renda de diversas famílias.
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Falta de equipamentos ainda limita trabalho das associações
Presidente da Associação Cata Tudo, de Caracaraí, Carlos Magno afirmou que a capacitação será importante principalmente para fortalecer a gestão financeira das associações e auxiliar na administração dos recursos, permitindo decisões mais estratégicas para o crescimento das entidades.
“O fortalecimento da gestão financeira é fundamental, principalmente para quem administra os recursos da associação. Esse conhecimento ajuda na organização e na tomada de decisões”, afirmou.
Além da coleta seletiva e da triagem dos resíduos, a Catatudo desenvolve o Projeto Lata, iniciativa que transforma tampinhas de alumínio em mesas, cadeiras, lixeiras, fruteiras e outros artefatos produzidos a partir de materiais recicláveis. A associação também trabalha na construção de um protótipo de quiosque desmontável fabricado com tampas de latinhas.
Atualmente, 40 trabalhadores fazem parte da associação, atuando tanto na coleta e separação dos recicláveis quanto na produção das peças.
Apesar dos avanços, Carlos afirma que a falta de equipamentos ainda limita o crescimento da entidade.

“Precisamos de uma prensa para enfardar os materiais, uma balança de grande porte e um caminhão. Esse seria o kit básico para conseguirmos ampliar nosso trabalho, otimizar o espaço no galpão e comercializar os recicláveis com maior valor agregado”, explicou.
Ele também avalia que a categoria ainda busca maior reconhecimento pelo trabalho prestado à sociedade.
“Nos sentimos reconhecidos por instituições como o Sebrae e por pessoas que entendem a importância da reciclagem. Mas ainda falta apoio, principalmente do poder público. Mesmo assim, seguimos trabalhando e conquistando nosso espaço, porque sabemos da importância do nosso trabalho para o meio ambiente e para a sociedade”, concluiu.

