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Sebrae e Governo de Roraima firmam convênio de mais de R$ 1,5 milhão para fortalecer produtos regionais com IG

Parceria marca início da estruturação de cinco novas IGs no estado e aposta na valorização, identidade e acesso a novos mercados
Por Sebrae RR
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O Sebrae Roraima e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), firmaram, nesta sexta-feira (24), durante o Transformar Juntos Roraima, no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF), um convênio de mais de R$ 1,5 milhão para estruturar Indicações Geográficas (IGs) de cinco novos produtos regionais: paçoca de Roraima, mel do lavrado, soja de Roraima, açaí de Roraima e banana de Caroebe.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer cadeias produtivas, valorizar a identidade local e ampliar a inserção desses produtos em mercados mais competitivos. A parceria reúne instituições públicas e entidades representativas e representa um passo estratégico para o desenvolvimento econômico do estado, ao apostar na diferenciação e na qualidade como forma de agregar valor à produção local. O convênio prevê a atuação conjunta entre governo, Sebrae e organizações ligadas às cadeias produtivas, criando uma base estruturada para que os produtos avancem no processo de certificação.

De acordo com o secretário estadual de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação, Márcio Grangeiro, o momento simboliza um avanço importante na construção de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia regional.

“Nosso papel é promover um ambiente propício ao desenvolvimento, ao empreendedorismo e à valorização daquilo que é produzido em Roraima. Esses produtos carregam identidade, história e características únicas, e precisam ser reconhecidos por isso”, afirmou.

Diagnóstico abriu caminho para escolha dos produtos

O projeto teve início ainda em 2025, com a realização de um diagnóstico técnico para identificar produtos com potencial de obtenção do selo de Indicação Geográfica. A analista de inovação do Sebrae Roraima, Fabiana Duarte, explicou que esse levantamento foi determinante para a seleção dos itens contemplados.

“O primeiro passo para estruturar uma Indicação Geográfica é fazer um diagnóstico. Esse levantamento foi feito no ano passado e identificou produtos com potencial. Todos os cinco analisados tiveram resultado positivo”, destacou.

Segundo ela, a iniciativa começou de forma mais restrita, com foco inicial na paçoca e no mel, e agora ganha escala com a formalização do convênio.

“Com esse acordo, conseguimos ampliar o trabalho e avançar na estruturação das IGs. Esse processo envolve organização dos produtores, definição de critérios técnicos e reconhecimento do território onde esses produtos são cultivados e beneficiados”, explicou.

Fabiana também ressaltou que a Indicação Geográfica vai além de um selo, funcionando como um instrumento de valorização.

“Ela agrega valor, protege o saber fazer e fortalece a identidade local. É um reconhecimento que pode transformar a forma como esses produtos são vistos no mercado”, afirmou.

Estratégia aposta em valor para superar limitações de escala

Para o diretor-superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, o projeto representa uma estratégia clara: competir pela qualidade, e não pela quantidade. Segundo ele, Roraima possui limitações naturais de escala produtiva, mas pode se destacar ao agregar valor aos produtos.

“Quando conseguimos diferenciar um produto e mostrar que ele tem características únicas, conseguimos acessar mercados mais exigentes e com maior valor agregado. Esse é o caminho para estados como Roraima”, afirmou.

Ele destacou que o objetivo não é apenas obter o reconhecimento formal, mas posicionar os produtos de forma estratégica no mercado.

“Não se trata apenas de um selo. A ideia é fazer com que as pessoas reconheçam esses produtos e estejam dispostas a pagar mais por eles, justamente pela qualidade e pela origem”, disse.

Baú também ressaltou que o processo exige engajamento direto dos produtores.

“Quem vai ser o guardião desse selo são os próprios produtores, organizados em associações ou cooperativas. É um trabalho de longo prazo, que precisa de organização e continuidade”, pontuou.

Produção local apresenta diferenciais competitivos

Entre os produtores, a expectativa é de valorização e expansão de mercado. O presidente da Aprosoja Roraima, Murilo Ferrari, destacou que a soja produzida no estado possui características diferenciadas que podem ser exploradas com a certificação.

“O nosso clima favorece uma soja com maior teor de proteína, acima da média nacional. Além disso, é uma produção com menor impacto ambiental, o que atende às exigências de mercados cada vez mais rigorosos”, afirmou.

No caso do açaí, o produtor José Paulo Serra ressaltou o potencial produtivo e a qualidade do fruto cultivado em Roraima.

“Nós temos um dos melhores açaís do Brasil, com maior rendimento e qualidade. A expectativa com a Indicação Geográfica é muito grande, porque isso vai consolidar esse reconhecimento”, disse.

Na apicultura, a representante da Cooperativa Roraimel, Francinalva, destacou que o mel do lavrado possui características únicas, resultado das floradas nativas da região.

“Isso dá ao nosso mel cor, aroma e sabor diferenciados. Esse selo vai trazer ainda mais confiança e credibilidade para o consumidor”, afirmou.

A paçoca de Roraima, outro produto contemplado, também carrega forte identidade cultural. O produtor Pedro Pinheiro destacou que o alimento representa tradição e praticidade.

“A paçoca surgiu da necessidade, com carne e farinha, e se tornou um alimento típico daqui. Hoje, além de saborosa, é nutritiva e prática. Com esse reconhecimento, a tendência é ampliar ainda mais o alcance do produto”, afirmou.

Reconhecimento deve gerar impacto direto na economia local

No sul do estado, a banana de Caroebe é um dos principais produtos agrícolas e deve ser diretamente impactada pela iniciativa. O prefeito Osmar Filho ressaltou que o reconhecimento pode impulsionar a economia local e fortalecer a organização dos produtores.

“A nossa banana já é reconhecida pela qualidade, é mais doce e mais encorpada. Com a Indicação Geográfica, vamos agregar valor e melhorar ainda mais a produção, beneficiando diretamente quem vive dessa atividade”, disse.

Para o secretário Márcio Grangeiro, além do impacto econômico, o projeto também fortalece a relação de confiança com o consumidor.

“O consumidor passa a ter a garantia de que está adquirindo um produto com origem definida, rastreabilidade e qualidade. Isso valoriza quem produz corretamente e fortalece o mercado”, destacou.

Viva Roraima amplia visibilidade e conecta produtores ao mercado

A iniciativa também dialoga diretamente com o Festival Viva Roraima, realizado entre os dias 24 e 26 de abril, no Parque Anauá, em Boa Vista. O evento é realizado pelo Sebrae e pelo Governo do Estado de Roraima, com apoio do Sest/Senat, e reúne cultura, turismo, gastronomia e empreendedorismo em uma programação voltada à valorização das potencialidades do estado.

Além das atrações culturais, o festival conta com espaços de negócios, exposição e comercialização de produtos regionais, reunindo produtores, empreendedores e instituições. Produtores das cadeias contempladas no projeto de Indicação Geográfica também participam da programação, apresentando produtos como mel, açaí, paçoca, banana e derivados da soja.

A presença desses produtores no evento permite a exposição direta ao público e a inserção em ambientes de comercialização e networking, dentro de uma agenda voltada ao fortalecimento da economia local.

Indicação Geográfica fortalece identidade, qualidade e valor de mercado

Atualmente, Roraima possui uma Indicação Geográfica reconhecida, a das panelas de barro, produzidas de forma artesanal no estado. Com o novo convênio, a proposta é ampliar esse número para seis produtos certificados.

A Indicação Geográfica, conhecida como IG, é um instrumento de reconhecimento que identifica produtos com características específicas vinculadas ao território de origem. Esse vínculo pode estar associado a fatores naturais, como clima e solo, ou a aspectos culturais, como tradição e modo de produção.

O processo de reconhecimento envolve a organização dos produtores, a definição de regras de produção, o controle de qualidade e a rastreabilidade. A certificação estabelece critérios que precisam ser seguidos por todos os envolvidos na cadeia produtiva.

Além da identificação de origem, a IG contribui para diferenciar os produtos no mercado, associando-os a padrões específicos de qualidade. O reconhecimento também pode ampliar a inserção em novos mercados e fortalecer cadeias produtivas locais.

“Não se trata apenas de um selo, mas de posicionar esses produtos de forma estratégica, agregando valor e permitindo que eles acessem mercados mais exigentes”, destacou o diretor-superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú.

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