O Sebrae Roraima e a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas firmaram parceria para a realização de 47 Oficinas de Mestria em Arte Indígena destinadas a 28 comunidades do estado. Cerca de 1.175 indígenas devem ser capacitados em dez municípios de Roraima por meio da iniciativa, que tem como foco a valorização dos saberes ancestrais, o fortalecimento da cultura tradicional e a ampliação das oportunidades de geração de renda nas comunidades atendidas.
As oficinas serão ofertadas nas áreas de cestarias e trançados, panelas de barro, entalhe em madeira, biojóias e pinturas corporais, contemplando diferentes expressões da arte tradicional indígena. A previsão é atender até 25 participantes por oficina.
Segundo a coordenadora de Atendimento da Regional Central e Norte do Sebrae, Jesana Pereira Figueira, podem participar indígenas interessados em se capacitar, tanto aqueles que já atuam na produção artesanal quanto pessoas que desejam aprimorar conhecimentos e técnicas. A participação é aberta a membros das comunidades onde as oficinas serão realizadas e também a indígenas de comunidades próximas que manifestem interesse. A seleção dos instrutores que atuarão como mestres nas oficinas será conduzida pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas.
A execução das oficinas integra convênio firmado entre o Sebrae Roraima e a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas. Ao todo, as atividades alcançarão comunidades localizadas nos municípios de Alto Alegre, Amajari, Boa Vista, Bonfim, Cantá, Caroebe, Normandia, Pacaraima, Baliza e Uiramutã.
Serão atendidas as seguintes comunidades:
Alto Alegre
Sucuba
Barata
Amajari
Araçá
Baixo São Marcos
Vista Alegre
Boa Vista
Boa Vista município
Serra da Moça
Bonfim
Moscow
Marupá
Cantá
Malacacheta
Campinho
Caroebe
Jatapuzinho
Normandia
Teso do Gavião, na região do Baixo Cotingo
Caracaranã, na região da Raposa
Camará, também no Baixo Cotingo
Pacaraima
Surumu
Barro
Arai
Sorocaima I
Taurapuru
Baliza
Xaarí
Uiramutã
Centro Morro
Flexal
Serra do Sol
Caraparu I
São Francisco
Água Fria
Willimon
De acordo com Jesana Figueira, o cronograma definitivo de execução das oficinas será alinhado em reunião marcada para o dia 19 de fevereiro.
“Estamos organizando a definição do cronograma de execução das oficinas. A proposta é garantir que a ação atenda de forma estruturada as comunidades contempladas, respeitando as especificidades de cada território”, destacou.
Cultura como atividade econômica sustentável
Conforme a coordenadora, o projeto vai além da capacitação técnica. A proposta é estruturar a produção artesanal tradicional como atividade econômica sustentável.
“A iniciativa contribui para a geração de renda ao qualificar os participantes para a produção de peças genuinamente indígenas, com identidade cultural preservada, qualidade e valor agregado. Os mestres transmitem conhecimentos ancestrais diretamente às comunidades, fortalecendo tanto a cultura quanto a capacidade produtiva”, explicou.
Ela reforça que a ação amplia as possibilidades de inserção dos artesãos em mercados locais, regionais e institucionais.
“Isso possibilita a participação em feiras, eventos e exposições, estimulando a comercialização dos produtos e a autonomia econômica das comunidades”, afirmou.
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Orientação sobre mercado e precificação
Além da formação artística, o Sebrae poderá oferecer orientações práticas sobre comercialização, precificação e acesso a mercado.
Segundo a coordenadora, o objetivo é apoiar os artesãos na valorização econômica de seus produtos, respeitando a identidade cultural e promovendo autonomia financeira.
“As capacitações voltadas à comercialização são fundamentais para fortalecer o artesanato como atividade geradora de renda, de forma organizada e sustentável”, pontuou.
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Critérios para escolha das comunidades
O número de 47 oficinas foi definido a partir de diagnóstico realizado no âmbito do projeto, considerando a diversidade de saberes tradicionais, a demanda apresentada pelas comunidades e a capacidade operacional do convênio.
A escolha das 28 comunidades levou em conta a existência de práticas tradicionais de arte indígena, a presença de mestres detentores dos saberes ancestrais, a articulação institucional da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas e a viabilidade logística para execução das oficinas.
A parceria teve início a partir de iniciativa da própria Secretaria de Estado dos Povos Indígenas, que já possuía interesse na realização da ação junto às comunidades. A partir do alinhamento institucional, identificou-se a oportunidade de viabilizar a iniciativa por meio de convênio com o Sebrae, somando esforços para fortalecer a cultura indígena e promover o desenvolvimento da economia criativa.
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Monitoramento e feira cultural
O acompanhamento dos resultados será feito pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas e pelo Sebrae, com registro do número de participantes, avaliação das atividades desenvolvidas e observação dos desdobramentos relacionados à produção e comercialização.
Como ação complementar, está prevista a realização de uma feira cultural de artesanato, que permitirá observar indicadores como participação dos artesãos, exposição dos produtos e volume de vendas.
Ainda segundo a coordenadora de Atendimento da Regional Central e Norte do Sebrae, a continuidade do projeto poderá ser avaliada a partir dos resultados alcançados, da demanda das comunidades e do interesse das instituições parceiras.
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